
A Intel aproveitou a Campus Party Brasil, que ocorre até domingo em São Paulo, para promover o lançamento no País de seus novos processadores com a arquitetura Sandy Bridge, que trazem processador gráfico (GPU, na sigla em inglês) no próprio chip além da polêmica função Intel Insider.
A estratégia da Intel é permitir que vídeos e mesmo jogos possam rodar tranquilamente em computadores sem a necessidade de uma placa gráfica especializada. Esta estratégia traz economia de energia para processadores e uma redução do preço do produto, além disso, tem sido adotada pela concorrente AMD na sua linha de processadores Fusion.
Intel Insider
Mas a polêmica do lançamento da Intel reside no Intel Insider, uma tecnologia feita para combater a pirataria de filmes transmitidos por streaming. Com o sistema, o vídeo é criptografado pelo próprio estúdio que produziu o vídeo, e só pode ser descriptografado pelos processadores com a tecnologia Intel Insider. “É uma chave embutida dentro da CPU”,
disse o engenheiro Fidel Ríos à Geek.
Alguns analistas, porém, consideram a tecnologia uma técnica de DRM (Digital Right Management), que diminui o controle dos usuários sobre os dados em seus computadores. Com a tecnologia, o vídeo fica inacessível a quem recebe, pois ele é descriptografado já dentro do processador, de onde já sai pronto para ser enviado ao monitor.
A empresa diz que os produtores de conteúdo exigem este tipo de proteção para poder vender seus vídeos pela internet. “Os grandes
estúdios de Hollywood sempre tiveram problema de como eles protegem seu material, por isso você não tem como baixar um filme da internet e assistir imediatamente”, diz Cássio Tietê, diretor de marketing da Intel no Brasil.
Lançamento
Na Campus Party Brasil, a Intel não tem estande próprio: o lançamento dos processadores ficou a cargo da brasileira CCE, que vem promovendo um con
curso de celebridades na web desde antes do início do evento. O vencedor será anunciado nesta sexta-feira, e receberá R$ 20 mil para ser o blogueiro oficial da empresa.
Mais ligada ao evento é a campanha Agent
e Geek i7, uma gincana que acontece dentro da Campus Party. Como de praxe nos eventos da feira, a ação usa o Twitter como meio de participação e divulgação da campanha, inclusive estimulando os retweets com hashtags do evento – o que muitos usuários consideram uma forma amena de spam na rede social.
leia mais
Durante o dia, a Arena da Campus Party está recheada de palestras, desconferências e oficinas, mas a movimentação de campuseiros continua mesmo após o término da programação. Dormir cedo é algo que você praticamente não vê por aqui.
É durante a madrugada que os nerds e geeks socializam, conversam, fazem campeonatos de games, downloads, assistem a séries e filmes, e se divertem de uma maneira geral.
Se você tiver a oportunidade de ver o que acontece na Campus Party às 3 horas da madrugada, certamente pensará que o fuso dos campuseiros estão errados: Aqui, a essa hora, parece que ainda são 10h da noite. Muitos continuam conectados nas bancadas e espalhados pelos pufes até altas horas.
Na noite de quinta-feira, por exemplo, um dos ‘eventos’ que rolou na Arena de Software Livre foi a exibição de alguns filmes consagrados pelos geeks, como “Piratas do Vale do Silício” e “Revolution OS”. Para quem nunca assistiu esses filmes, o primeiro conta a história da criação do computador pessoal e da fundação da Apple e Microsoft. Já o segundo, se atém à história do software livre em geral e do Linux. Nada mais apropriado para a ocasião e para público, não é mesmo?
Depois das 5 da manhã a arena começa a esvaziar, e o camping fica cada vez mais cheio. Ainda assim, já quase no raiar do sol, às 7 horas, é possível encontrar alguns corajosos que driblam a insônia ou vencem o sono esbanjando disposição em jogos de ação. Aqui, naCampus Party, a diversão rola 24 horas.
leia mais
Para quem acredita que ser geek significa ficar horas na frente do computador sem se preocupar com a aparência, os modders estão aí para provar que provavelmente você está certo. Se, por um lado, a vaidade pessoal não é uma das qualidades mais notáveis dessa tribo, por outro a atenção especial que dedicam às máquinas prova que geeks também sabem cuidar da aparência, pelo menos, do computador.
De acordo com os campuseiros praticantes da arte e membros do fórum casemodbr.com, a história do surgimento do modding, que soa bastante como lenda urbana, data do final da década de 80, quando um americano resolveu colocar ventiladores para esfriar a CPU. Nascia então a modificação com intenção de aumentar a eficácia do aparelho. Depois disso, percebendo ter ficado esteticamente feio, ele fez buracos na caixa do CPU e introduziu pequenos ventiladores na estrutura da peça. Nascia, então, o modding, modificação com propósito de embelezar o gabinete.
A palavra modding, traduzida para o português, significa “modificação”. Na vida de alguns dos milhares de campuseiros da Campus Party, em São Paulo, modding é um estilo de vida. A arte é amplamente aplicada em caixas da CPU do PC, com intenções de melhora de desempenho, mas, principalmente, de estética. “Modding é dedicado à beleza mesmo, para personalizar a máquina ie deixá-la ao seu gosto e única”, afirmou Raphael Tursi, 25 anos, de Belo Horizonte.
Dono de uma empresa de tecnologia na capital mineira, Raphael é uma espécie de modder humilde, sem grandes exageros, que aplica pequenas modificações. “Existe a forma mais criativa e a forma simples. Eu faço o simples, que é feito sobre uma base”, disse. Na CPU, ele trocou a tampa lateral por uma de acrílico, que custa R$ 60, colocou luzes LED azuis, ao preço de R$ 30 cada, e aplicou uma pintura especial. Ao todo, ele soma um gasto de aproximadamente R$ 400 para fazer o básico.
O designer Bruno Garcia, 24 anos, de São Paulo, também não economizou na modéstia. Com um gasto de R$ 300 reais, ele trouxe ao maior encontro geek do mundo um modelo simples de casemod, como são chamados os gabinetes modificados. Ele trocou a lateral de lata por acrílico, colocou novos coolers por R$ 25 cada, incrementou com lâmpadas de luz negra por R$ 30 cada e aplicou uma base de tinta preta especial para que o efeito da luz acontecesse. “O mais caro mesmo foi a tintura, pouco mais de R$ 100. A arte, em si, não é cara”, disse.
Bem mais extravagante que os colegas, o paulista Omar Majzoub, 23 anos, possui uma paixão cara: construir casemods temáticos. Sai a simplicidade e entra o luxo. “Todo ano eu escolho um tema diferente, mantenho o hardware, e troco toda a caixa”, falou. A versão 2011 foi inspirada em Chuck, o Boneco Assassino. A de 2010 era do seriado de TV Lost. “Este foi todo criado do zero e custou cerca de R$ 2 mil reais”, disse Omar, que também contou que desenhou o modelo em 3D, ajudou o carpinteiro a montar a caixa onde seriam colocadas as peças, pintou e montou. O resultado é um grande enfeite colorido, digno de parques de diversões, que, nem de longe, lembra uma monótona CPU tradicional.
O mais impressionante deles, e também o mais caro, foi o casemod feito por Bruno Carvalho, de 20 anos, que viajou de Aracaju, no Sergipe, até São Paulo para participar da Campus Party. Bruno contou que, do original, a máquina só mantém o hardware. O resto é totalmente fruto de uma cabeça maluca, mas muito criativa. A inspiração foi o personagem Hulk, que carrega nas costas a placa de vídeo e pisa sobre a carcaça da máquina com o resto da aparelhagem. “Demorei cerca de três meses, ao todo, para montar essa peça. Ele é feito de madeira revestida com porcelana fria, que não é cara”, falou.
Ao todo, Bruno estima ter gasto mais de R$ 2,5 mil reais na máquina. “O mais caro foi o boneco, que custou por volta de R$ 300 reais. Ele era oco e precisou ser revestido com gesso nas pernas e com borracha de silicone no restante do corpo”, acrescentou, falando que também precisou adaptar a estrutura para uma versão de viagem, fácil de montar e desmontar.
leia mais
Em coletiva de imprensa realizada neste sábado (22), Steve Wozniak, 60, cofundador da Apple, disse que ainda não há concorrentes à altura do iPad e que, mesmo os dispositivos com o sistema Android não são tão bons quanto o tablet da Apple. É a segunda vez que Wozniak vem ao Brasil.
*
Veja o que os campuseiros baixam na Campus Party 2011
o Campus Party não oferece internet sem fio; diretor diz que Wi-Fi está fora de cogitação
o Fila: bagagens com PCs, comida e gadgets
o Campuseiros mostram personalidade com estilo geek na Campus Party 2011
o Ministro das Comunicações quer acelerar e baratear Plano Nacional de Banda Larga
o Com 65 anos, campuseira de primeira viagem conta como foi parar no acampamento nerd
o Apesar da forte segurança, computadores e objetos somem na Campus Party
“Certa vez questionei em uma loja como iam as vendas do Galaxy Tab, da Samsung. A resposta foi que as pessoas ainda preferem o iPad, sobretudo pelo tamanho e qualidade da tela”, disse.
Quando o assunto foi a próxima geração do iPad, ele comentou os recursos que gostaria de ver. “Eu acho que o iPad é um computador incrível e gostaria muito que ele imprimisse, pudesse se conectar a periféricos e que tivesse algumas opções em linguagem de programação.”
Surpreendentemente, Wozniak declarou ser contrário a sistemas fechados, como a iTunes Store, que recentemente alcançou 10 bilhões de downloads.”Sou contra isso. O usuário deve ter habilidade de usar seu aparelho para o que ele quiser. Não entendo porque isso ocorre”, afirmou, frisando ainda que acredita no código aberto.
No entanto, ressaltou que é importante ter um controle e que, mesmo com essa forma de agir da empresa, a Apple ainda é a melhor do ramo.
Wozniak, quando questionado quanto à saúde de Steve Jobs, foi evasivo afirmando que confia nas decisões de seu antigo parceiro da Apple. “Jobs teve problemas médicos que ele gostaria que ficassem privados”, disse.
Recentemente, Steve Jobs enviou um e-mail aos funcionários da empresa informando que tiraria licença médica para se tratar, sem dar detalhes sobre seus problemas.
Como aposta para o futuro, Wozniak ressaltou o uso de comandos de voz nos equipamentos. Ele, inclusive, chegou a comparar a utilização desse recurso com o início do uso do mouse nos computadores pessoais.
Concorrência
No que diz respeito à concorrência com a Microsoft, Wozniak afirmou que a empresa que ele ajudou a criar tem tido vantagem. “ Os acontecimentos têm favorecido a Apple. Eles fizeram coisas incríveis, mas não vejo nada de incrível e novo.”
Para exemplificar, comentou que a empresa de Bill Gates nunca pensaria há uns tempos atrás que poderia surgir um videogame como o Playstation, com um alcance tão grande.
Quanto ao Google, como em outras ocasiões, elogiou o sistema Android e vê apenas a plataforma móvel do gigante das buscas e o iOS, da Apple, como grandes concorrentes.
“Eu estou muito impressionado com o Android, mas claro que a plataforma do iPhone é melhor, pois tem menos problemas e até hoje é a mais fácil de navegar.”
Sobre Steve Wozniak
Ídolo dos aficionados por tecnologia pelo pioneirismo e bom humor, Steve Wozniak, 60, fundou na década de 70 a Apple juntamente com Steve Jobs – atual diretor-executivo da empresa. Tudo começou quando ambos se conheceram em uma espécie de grupo de estudos de eletrônica na época da universidade.
Em 1975, ele e Jobs juntaram dinheiro e construíram o primeiro computador pessoal, o Apple I – na época já havia computadores, mas tinham preço elevado – , comercializado por menos de mil dólares. Na década de 80, Woz, como é conhecido, saiu da Apple para fundar outra empresa.
Atualmente, Steve Wozniak dedica-se a dar palestras e prestar consultoria. Diferente de Jobs, conhecido por ser uma pessoa muito discreta, Woz é expansivo: já participou do seriado “Big Bang Theory” – que trata sobre o cotidiano de jovens nerds americanos – e até dançou no “Dancing with the stars”(competição em que famosos aprendem a dançar com bailarinos profissionais).
Além disso, Wozniak lançou recentemente o livro “iWoz” (título inspirado na série de produtos lançados pela Apple iniciado com a letra i), autobiografia em que conta a história da fundação da Apple.
leia mais